É permitido casamento com a ex cunhada?

 

TERMINEI MEU CASAMENTO E ESTOU A FIM DA MINHA EX CUNHADA, POSSO ME CASAR COM ELA?

 

            Primeiramente eu digo que você tem que ser bastante corajoso em encarar a prisão novamente. E ainda mais, uma prisão com um carcereiro do mesmo vínculo familiar.

            O único lado bom desse casamento seria que você economizaria em sogra, já que sogra é para sempre, você somente manteria o vínculo com ela.

            Brincadeira à parte, sim! você pode se casar com sua ex cunhada. Não havendo vedação legal para impedir esse casamento, somente podendo ocorrer represálias sociais por ser considerado imoral e antiético para algumas pessoas.


EXPLICAÇÃO:


            Como explicado no post anterior, sobre o parentesco por afinidade, que é limitado entre os ascendentes, descendentes e aos irmãos de seu cônjuge. Ele se extingue na colateral, ou seja, você deixa de ser parente por afinidade do seu ex cunhado (a).

            É a interpretação dada ao § 2º do art. 1.595:

 

“§ 2º Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável.”

RESUMO:


            Sim, você pode se casar com sua ex cunhada, apenas necessita de coragem para aguentar mais um casamento com o mesmo vínculo familiar.  Isso é possível pela extinção do parentesco por afinidade na colateral ocasionado pela a dissolução do casamento ou da união estável.

 

 

#Direitocivil #cunhado #cunhada #oab #concursos #casamento #casamentocomcunhado

Algumas dúvidas do Revisional do FGTS

 

REVISIONAL FGTS – 1999 A 2013

 

Muitas dúvidas podem surgir no que tange o revisional do FGTS, para tanto, observe abaixo algumas elucidações:

 

PAULO, QUAL É A DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA DAR ENTRADA NESSA AÇÃO?

- Bom, é necessário que o trabalhador esteja com seu extrato analítico dos períodos entre 1999/2013; tem que realizar o cálculo dos valores que se tem direito; comprovante de residência, RG e CPF.

 

PAULO, ESTOU DEMANDANDO CONTRA MEU EX EMPREGADOR?

- Não! Essa ação é proposta em face da Caixa Econômica Federal, pois é ela quem faz a gestão dos valores referentes ao FGTS.

 

PAULO, É IMPORTANTE FAZER O CÁLCULO ANTES FAZER O REQUERIMENTO DA REVISÃO?

- Sim, é bastante importante você discriminar os valores de que tem direito, para saber qual competência é quem vai julgar.

 

PAULO, SE MEU DIREITO É RECEBER R$ 80 MIL REAIS, ONDE DEMANDO ESSA MINHA REVISÃO?

- Na Justiça Federal, nesse caso você terá que pagar às custas do processo para que sua ação seja distribuída.

 

PAULO, E SE MINHA AÇÃO DER O VALOR MÁXIMO DE R$ 10 MIL REAIS, ONDE DEMANDAR?

- Nesse caso você demandará perante o Juizado Especial Federal, cujo a competência é de até 60 salários mínimos.

 

 

 

 

REVISÃO FGTS - 1999 A 2013

 

REVISÃO FGTS

O FGTS é um fundo reservado ao trabalhador pelo tempo de serviço. Esse fundo é realizado pelo empregador em nome do funcionário, que deverá depositar 8% do salário do trabalhador, em uma conta criada por ele, para que esse funcionário esteja assegurado em demissão sem justa causa.

Quando isso ocorre, o trabalhador fará jus a receber a multa de 40% do valor contido nesse fundo.

Quem tem esse direito de revisão?

Todos trabalhadores que tiveram a sua carteira registrada entre os anos de 1999 a 2013, incluindo também os trabalhadores rurais, temporários, avulsos, safreiros e atletas profissionais, dentre outros.

O que é a revisão que tanto falam?

Ficou concluído pelo STF que os trabalhadores que tinham valores referentes ao FGTS em sua conta, entre os anos de 1999 a 2013, teriam o direito de ingressar com ação revisional desse saldo.

Motivos dessa revisão:    

O FGTS é corrigido anualmente pela Taxa de Transferência mais 3%, ocorre que essa correção monetária não considerou a infração de cada ano. Isso fez com que o trabalhador perdesse o poder de compra, tendo em vista que não acompanhou a infração.

Quanto o trabalhador perdeu nesses anos?

Estimam-se que, entre os anos de 1999 a 2013, o trabalhador perdeu do seu FGTS a porcentagem que varia de 48% a 88%, a depender do fato gerador específico de cada situação.

Para saber mais, me sigam e acompanhem as próximas publicações ou questione-me no privado.

Instagram: @paulo_ribeiroo

#FGTS #Direito #justiça #STF

Fonte: JusBrasil. <https://rmonjardim.jusbrasil.com.br/noticias/186899827/revisao-do-fgts-de-1999-a-2013-saiba-o-que-e-necessario-para-dar-entrada-no-processo>.

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ANÁLISE DO ART. 122 DO CÓDIGO PENAL - PACOTE ANTICRIME

 

ALTERAÇÕES VIA PACOTE ANTICRIME – ART. 122. CP

 

O presente artigo visa analisar o crime do artigo 122, Código Penal, antes e depois de sua alteração trazida pela Lei nº 13.968, de 2019.

 

I – REDAÇÃO ANTERIOR

 

            Antes de analisar as alterações constantes no artigo 122 do Código Penal, é preciso abordar o conceito de suicídio. Segundo Nélson Hungria, o suicídio nada mais é do que a eliminação voluntária da própria vida.

            Portanto, essa conduta de ceifar a própria vida está relacionada a diversos fatores internos e externos do cotidiano do indivíduo. Os fatos internos podem ser a autoestima baixa somada com abalos psicológicos por algum evento ocorrido, como por exemplo, a morte de um ente querido por Covid-19.

            Já nos fatores externos, isso pode ser corroborado com condutas de terceiros, que o induz, instiga ou presta auxílio para que o faça. Quando isso ocorre, surge para o Estado o dever de punir.

            Embora se matar não possa ser juridicamente punível, prestar, induzir ou até mesmo instigar que outra pessoa se mate passa a ser conduta configurada como típica e passível de punição penal.

             Vale frisar ainda que essas condutas mencionadas devem estar contidas em um contexto direto, ou seja, o agente deverá praticar a conduta do tipo para um sujeito ou grupo de pessoas determinadas, não sendo aceito quando praticado de modo genérico.

            Quando praticado em modo genérico, o agente não está incidindo no crime de induzimento ao suicídio, mas sim praticando apologia ao suicídio. Então, se o sujeito descreve o seguinte em sua obra literária e disponibiliza para venda: “Pessoas que se sente menosprezada e sem amigos, faça um favor consigo mesmo, se mate, isso não vai passar, nunca fica melhor, pare de se enganar.”, e caso alguém que leia esse livro e se sinta influenciado a ponto de se matar, esse escritor não poderá responder pelo crime de instigação ao suicídio, pois a conduta dele não foi direcionada àquele que se matou.

            Dando continuidade no enfoque desse artigo, a redação do crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, definia da seguinte forma.

 

Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar auxílio para que o faça: Pena – Reclusão, de 2 a 6 anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão de 1 a 3 anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza leve.

 

            Pois bem, segundo o texto anterior, caso o indivíduo praticasse alguma das condutas prevista no tipo, poderia responder pelo delito em questão, com a variação de pena de 2 a 6 anos, caso o agente realmente se matasse. Também, o agente podia responder por lesão corporal de natureza leve, se dessa tentativa o agente suicida não consiga se matar. A pena para essa modalidade variava de 1 a 3 anos de reclusão.

            Além das mencionadas, o tipo penal ainda previa dois incisos que, caso a conduta do tipo se configurasse, a pena seria aumentada.

 

Parágrafo Único. A pena é duplicada: I- se o crime é praticado por motivo egoístico; II- se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

 

            O parágrafo único previa que a pena fosse duplicada em caso que o motivo determinante ao suicídio aplicado pelo agente, fosse egoísta. Por exemplo, o sujeito que está concorrendo para a mesma vaga de emprego com aquele indivíduo e descobre que aquele tem depressão e começa a proferir as seguintes frases: “se mata mesmo, nada em sua vida dá certo, porque esse emprego daria!?, para de tentar!”.

            Note, mesmo que esse indivíduo não tenha relação nenhuma com o suicida, os motivos pelos quais o agente inculcou na cabeça desse sujeito, foram plenamente egoísta, com a finalidade de que, caso ele venha realmente se matar, ele fique com a vaga de emprego sem concorrência.

            Outro caso também que duplicava a pena era se o agente contra quem era cometida a conduta desse tipo penal, fosse menor de idade, ou se essa tinha capacidade de resistência diminuída por qualquer que fosse a causa. A exemplo, podemos citar uma pessoa com sintomas profundos de depressão, que toma vários remédios que a deixa abalada psicologicamente, nesse caso, caso o agente induza, instigue o auxilie essa pessoa se matar, responderia com a pena duplicada.

 

IIREDAÇÃO ATUAL

 

            A primeira alteração penal ocorrida no tipo em questão, diz respeito a inclusão da automutilação como mais uma figura do tipo. Portanto, se o agente induz, instiga ou presta auxílio material para que esse individuo se automutile, terá uma pena que pode variar de 6 meses a 2 anos.

 

Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça: (Redação dada pela Lei nº 13.968, de 2019)

Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.

 

            Para que possa entender melhor sobre a nova figura, é necessário analisar o que se entende por automutilação. A automutilação consiste na conduta do indivíduo que está passando por algum momento psicológico anormal, que, por vontade interior, decide provocar lesão em seu próprio tecido do corpo, de modo voluntário.

            Embora a automutilação seja por ato próprio e deliberado, a figura do tipo penal define como crime terceiro que induz, instiga ou presta auxílio para que a pessoa faça. O tipo penal também previu que se essa mutilação se torna de natureza grave ou gravíssima, o agente terá uma pena de 01 a 03 anos de reclusão.

§ 1º Se de a automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)

Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.   (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)

 

            Já no caso em que a automutilação causa a morte do indivíduo, aquele agente que prestou algum auxílio, seja ele indireto ou direto, terá uma pena de 2 a 6 anos de reclusão. No tocante a duplicação da pena no crime em questão, será aplicada quando ele for praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil.

            Antes dessa alteração trazida pelo pacote anticrime, o tipo só previa o motivo egoístico, motivo esse que consiste em praticar algum ato que vai causar a morte ou a automutilação do sujeito, de forma que venha lhe trazer algum benefício futuramente, seja ele econômico ou simplesmente para elevar a moral do agente criminoso.

            Agora o tipo penal passou a englobar o motivo fútil e torpe como uma das causas que duplica a pena. O motivo fútil incide em uma causa insignificante que motivou o agente a induzir, instigar ou prestar auxílio para aquele indivíduo possa se matar ou se automutilar.

            Um exemplo que pode ocorrer motivo fútil no art. 122, é um sujeito que namora com essa pessoa e sabe que ela tem algum tipo de distúrbio psicológico, após o fim do relacionamento começa a praticar a figura do tipo com o intuito de se vingar pelo fim do relacionamento, e essa pessoa acaba por se matar ou se automutilar.

            No tocante ao motivo torpe, essa é uma conduta considerada indigna e desprezível por parte do agente, nesse casso podemos citar uma pessoa que induz o pai a se matar apenas para ficar com a sua herança.

 

§ 3º A pena é duplicada: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019); I - Se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019).

 

            Outra causa que duplica a pena do agente, é ele cometer o crime em do art. 122 contra vítima menor de idade ou até mesmo contra outras pessoas que, mesmo maiores de idade, tenha sua capacidade de resistência reduzida por algum motivo, como por exemplo uma pessoa com deficiência ou aquela que esteja debilitada por embriaguez.

 

II - Se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.   (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)

 

            No que concerne os crimes cibernéticos, a alteração penal trouxe o aumento de pena que pode ser até o dobro da aplicada, se ela for realizada por meio de rede de computadores, qualquer rede social ou que seja transmitida ao vivo pela internet, onde muitas pessoas podem acompanhar.

            Consideramos uma hipótese em que o individuo entre em sua rede social e comece a induzir determinadas pessoas a se matarem, proferindo várias frases de cunhos suicidas ou de automutilação, ele responderá pela pena prevista no caput, que poderá ser majorada até o dobro, obviamente se desse conduta não se enquadrar nas previstas em outros parágrafos que são mais graves, como se resultar em morte de uma vítima menor de 14 anos.

 

§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real.   (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019).

 

            Ainda sobre o crime referido praticado pela internet, a pena será aumentada em metade se esse o agente é coordenador do grupo virtual destinado a induzir, instigar ou prestar auxílio para que a pessoa se mate ou se automutile. Esse aumento de pena também é previsto para quem, mesmo fora da internet, seja líder de grupo destinado ao crime do artigo 122.

 

§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual.   (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019).

 

 

            Um ponto bem interessante foi trazido no parágrafo sexto, que trata do crime cometido contra quem é menor de quatorze anos, quem tem enfermidade ou deficiência mental, que não tenham discernimento para a prática do crime e até mesmo contra quem não possa oferecer resistência por algum motivo.

            Então, se o crime cometido contra esses agentes resulte lesão corporal gravíssima, o agente responderá na forma do artigo que trata a lesão corporal, tendo uma pena de reclusão de 2 a 8 anos. Veja, a pena é consideravelmente maior do que o agente receberia pelo crime do artigo 122, nos moldes do §1º, pois tem uma pena inferior, que vai de 1 a 3 anos de reclusão.

 

§ 6º. Art. 122. Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código.   (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019).

 

§ 1º. Art. 122. Se de a automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)

 

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:  § 2° Se resulta: I - Incapacidade permanente para o trabalho; II - enfermidade incurável; III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; IV - deformidade permanente; V - aborto: Pena - reclusão, de dois a oito anos.

 

            Por fim, a inclusão do §7º do artigo 122, positivou um entendimento que já era adotado pela doutrina brasileira. Deste modo, se o suicídio se consuma ou se a automutilação se converta em morte dos agentes menores de 14 anos, dos que não tem o necessário discernimento para a prática do ato ou os que não podem oferecer resistência, o individuo que causou responderá por homicídio doloso.

  

§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste Código.   (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019).

 

Art. 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos.


            Veja, o agente responderá por uma pena que é muito maior do que está previsto no parágrafo segundo do artigo 122. A pena prevista varia de 2 a 6 anos de reclusão, quanto a pena do homicídio pode chegar até vinte anos, e podendo ser majorada ainda mais se a forma em que foi induzido, instigado ou prestado auxílio ao suicídio ou automutilação com morte, seja tarjada como qualificada, podendo o agente incidir em uma pena de até 30 anos de reclusão.




Bacharel em Direito: Paulo Ribeiro

22 de maio de 2021







NOTAS CITATÓRIAS

1-      CUNHA, Rogério Sanches. Penal especial: art. 121 ao 361. Ed.9. rev. Amp. atual. – Salvador: JusPODIVM. 2017. Art. 122.

2-      BRASIL. Código Penal. 1940. Disponível em :< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>.acesso em: 22.mai.2021. arts. 121.122.129.

 

 

 

 

 

 

 

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